Promessa é promessa. Prometi a um de vocês (ele se reconhecerá) uma lista exaustiva — ou, pelo menos, uma lista interessante — dos melhores filmes sobre hacking da história.A ideia é sempre a mesma: quando se fala de filmes sobre IA, cyberpunk ou ficção científica pioneira, temos a tendência de citar sempre os mesmos títulos. Mas muitos filmes cult já abordaram temas que são cruciais hoje em dia. Por isso, é preciso vê-los!
Entre as joias, penso, por exemplo, nessa joia dos anos 80 em que, pela primeira vez, é uma heroína que hackeia. É um filme desconhecido na França, mas sempre o achei fascinante porque as técnicas descritas são surpreendentemente visionárias para meados dos anos 80.
É claro que não pude deixar de fora meus dois clássicos: WarGames e Sneakers, escritos pela mesma dupla Lawrence Lasker e Walter F. Parkes.
Para cada filme, tentei aplicar um “índice de assistibilidade”, porque, sejamos honestos, isso depende muito da sua carga mental do dia. Mas se você trabalha com informática, é impressionante ver que a maioria das grandes ideias atuais é tratada com mais precisão em filmes de 40 anos atrás do que nas produções atuais.
“Mas como você tem tempo para assistir a tudo isso?”
Para responder a Marie Dollé, que me fez essa pergunta, a resposta é simples: eu não assisto a eles hoje. Eu os vi há muito tempo e alguns continuam me assombrando ou me inspirando.
Essa é a vantagem de ter morado em São Francisco na época áurea. Eu passava a vida na Blockbuster do bairro. Havia uma verdadeira curadoria nas locadoras que sinto muita falta hoje em dia. A maneira completamente inutilizável de escolher um filme na Amazon Prime ou Netflix me leva a criar esse tipo de lista, para que você possa ir direto ao que vale a pena.
Também coloquei um link para o filme 23. Para mim, é um filme sobre Pengo e Koch, dois hackers que conheci na época em alguns fóruns. Uma história trágica e uma lenda no mundo da pirataria informática do final dos anos 80.
Enquanto isso, boa sessão.
Mais de 40 filmes para entender a cultura hacker
Uma seleção cronológica para ver como o cinema capturou as obsessões tecnológicas de cada época.
🎥 1950 – 1970: As origens
Desk Set (1957, Walter Lang) — A chegada de um computador a um departamento provoca um confronto entre humanos e máquinas. Um filme que antecipa os temas da IA. (2/5)
Colossus: The Forbin Project (1970, Joseph Sargent) — Um supercomputador assume o controle do arsenal nuclear americano. A primeira vez que se fala em singularidade e se tenta hackear uma AGI! Imperdível. (5/5)
The Andromeda Strain (1971, Robert Wise) — Uma instalação automatizada escapa ao controle dos cientistas. Um excepcional thriller tecnológico escrito por Michael Crichton. (5/5)
🎥 1980: Fundamentos do imaginário
Tron (1982, Steven Lisberger) — Um programador é lançado em um universo digital autônomo. O filme que me fez querer seguir a carreira de informática. (5/5)
WarGames (1983, John Badham) — Um adolescente invade um sistema militar e desencadeia uma crise nuclear virtual que se torna real. Cult. (5/5)
Superman III (1983, Richard Lester) — Um programador desvia frações de centavos em um sistema salarial (a técnica do “salami slicing”). Veja as cenas de hacking no YouTube. (1/5)
Blue Thunder (1983, John Badham) — Um helicóptero militarizado equipado com um sistema informático que antecipa a sociedade de vigilância. (4/5)
Electric Dreams (1984, Steve Barron)— Um computador doméstico ganha consciência e se apaixona pela vizinha do seu dono. Uma trilha sonora excelente, um filme muito anos 80. (3/5)
Hide and Seek (1984, René Bonnière) — Uma estudante do ensino médio superdotada vê seu programa se conectar por engano ao mainframe de uma usina nuclear. Disponível no YouTube. (2/5)
Prime Risk (1985, Michael C. Butler) — O favorito: Uma jovem engenheira descobre um sistema capaz de derrubar a rede bancária americana. Vintage, desconhecido, mas excelente. (4/5)
Les Petits Génies (Whiz Kids) (1983–1984, série de TV) — Adolescentes usam a informática para se infiltrar em sistemas. Uma série que marcou minha juventude. O episódio “The Network”, nunca exibido na França, já falava da NSA! Mas o YouTube tem uma cópia ;)
🎥 1990: Explosão da cibercultura
Sneakers (1992, Phil Alden Robinson) Imperdível: Uma equipe descobre um dispositivo capaz de quebrar qualquer criptografia. Um clássico cult. RIP Robert Redford. (5/5)
Hackers (1995, Iain Softley) — Adolescentes invadem redes industriais e descobrem uma conspiração mundial. Muito “Geração MTV”. 30 anos depois, a energia continua a mesma! (5/5)
The Net (1995, Irwin Winkler) — Uma analista vê sua identidade digital apagada por um grupo criminoso. Muito bom! (4/5)
Ghost in the Shell (1995, Mamoru Oshii) — Em um mundo cibernético, a pirataria cerebral se torna uma arma. Cult e muito bom. (5/5)
Strange Days (1995, Kathryn Bigelow) — Gravações digitais pirateadas revelam uma conspiração na véspera da virada do ano 2000. Genial! (5/5)
GoldenEye (1995, Martin Campbell) — Um programador pirata um sistema orbital para desencadear um ataque (Boris, “Eu sou invencível!”). Hacking ao estilo James Bond. (2/5)
Enemy of the State (1998, Tony Scott) — Um advogado é apanhado numa rede de vigilância total. Muito premonitório. (5/5)
23 (1998, Hans-Christian Schmid) — Obra-prima desconhecida: Inspirada na história real do hacker Karl Koch e da KGB. (5/5) encontra-se aqui ;)
Pirates of Silicon Valley (1999, Martyn Burke) — Relato das origens da Apple e da Microsoft, no coração da cultura hacker. Imperdível! (5/5)
🎥 2000: a era da maturidade do hack?
Antitrust (2001, Peter Howitt) — Um desenvolvedor descobre que uma multinacional rouba códigos e elimina seus rivais. Pouco conhecido. (4/5)
Swordfish (2001, Dominic Sena) — Um hacker é forçado a se infiltrar em sistemas bancários. (A cena do hack em 60 segundos...) . (3/5)
The Matrix Reloaded (2003, Wachowski) — Trinity usa o Nmap e um exploit SSH para hackear a central elétrica. A cena de hacking mais credível da história? (4/5)
The Italian Job (2003, F. Gary Gray) — O hacker do grupo desvia o sistema de trânsito de uma cidade. (3/5)
Takedown (Track Down) (2000/2004, Joe Chappelle) — O filme sobre Kevin Mitnick, figura cult do hacking. (3/5)
Live Free or Die Hard (2007, Len Wiseman) — Ciberterroristas atacam as infraestruturas americanas (a “Fire Sale”). Engraçado, exagerado, mas credível. (3/5)
The Bourne Ultimatum (2007, Paul Greengrass) — Uso muito realista de ferramentas de invasão e vigilância. Muito inspirado em Snowden. (3/5)
🎥 2010: O hacker é o novo herói moderno
The Girl with the Dragon Tattoo (2011, David Fincher) — Uma hacker (Lisbeth Salander) se infiltra em sistemas para resolver uma investigação. (3/5)
Person of Interest (2011-2016, Jonathan Nolan) — Uma IA de vigilância massiva (La Machine) que prevê crimes. Provavelmente a série mais presciente: antecipou o caso Snowden, o PRISM e os perigos da IA (Inteligência Artificial Superavançada) anos antes de todos. (5/5)
Who Am I – No System Is Safe (2014, Baran bo Odar) — Um coletivo berlinense (CLAY) multiplica as infiltrações. Final interessante. (3/5)
Mr Robot (2015–2019, série de Sam Esmail) — A referência absoluta em hacking: um engenheiro lidera uma rebelião digital. Tecnicamente impecável. Não vi depois da 1ª temporada. (3/5)
Blackhat (2015, Michael Mann) — Um hacker é recrutado para impedir ataques industriais. Michael Mann, portanto, imperdível. (4/5)
Snowden (2016, Oliver Stone) — Um analista extrai dados confidenciais da NSA. Os cenários nos colocam no centro da ação de espionagem e hacking estatal. (3/5)
🎥 2020 e futuro
Devs (2020, Alex Garland) — Série. Um mergulho no código quântico e no determinismo dentro de um Vale do Silício secreto. Mais filosófico do que técnico, mas a atmosfera da “cultura codificadora” é louca. Excepcional. (5/5)
Kimi (2022, Steven Soderbergh) — Uma funcionária de tecnologia analisa fluxos de áudio de alto-falantes conectados e encontra uma prova de crime. Um suspense angustiante sobre vigilância doméstica. (3/5)
The Undeclared War (2022, Peter Kosminsky) — Série. Uma imersão ultrarrealista em um ataque cibernético contra o Reino Unido. Se você trabalha com cibernética e ainda não assistiu, então está cometendo uma falha profissional. (5/5)
A Murder at the End of the World (2023, Brit Marling) — Uma investigadora da Geração Z e hacker amadora (Darby Hart) é convidada por um bilionário da tecnologia. É um pouco como o “Millennium” da Geração Z. Ainda não vi!
Leave the World Behind (2023, Sam Esmail) — Sem cenas de “teclado”, mas com o resultado aterrorizante de um ataque cibernético nacional. Sam Esmail (criador de Mr Robot) é o diretor, então o subtexto tecnológico é sólido. (3/5)
Dark Web: Cicada 3301 (2021, Alan Ritchson) — Um hacker mergulha nos enigmas criptográficos de Cicada. Pela diversão do enigma. (2/5)
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