COSTURA
Há feridas que ninguém vê.
Dormem sob a pele
como cartas não abertas,
como um retrato virado para a parede.
Algumas sangram silêncio,
Outras falam alto demais
no jeito de evitar um abraço,
no riso que chega atrasado,
no medo de ficar.
O corpo é um arquivo antigo:
Cada cicatriz, uma assinatura do tempo.
Aqui, o corte da despedida.
Ali, a queimadura de um nome esquecido.
Mais abaixo, a queda que ensinou a andar.
Mas há marcas que florescem.
A pele aprende a costurar a própria história,
linha por linha,
até que o rasgo vire desenho,
até que a dor vire mapa.
Quem olha de longe vê imperfeições.
Quem toca de perto sente estrada.
Porque ferida não é só ruptura,
é passagem.
É o lugar exato
onde a vida entrou com força demais
e, mesmo assim,
você ficou.
E toda marca, no fundo, sussurra:
“Aqui doeu,
mas eu sobrevivi.”
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